Atualizado 11/01/2019

Trump chega ao Texas para defender muro na fronteira mexicana

Presidente garante que uma barreira "forte" é única forma de combater imigração ilegal

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou nesta quinta-feira à colônia McAllen, na fronteira dos Estados Unidos com o México. Ele pretende defender seu projeto de muro, um dia depois de abandonar negociações para encerrar o "shutdown" federal com líderes democratas, contrários a financiar a construção da barreira na fronteira sul.

 

Em reunião com oficiais da patrulha de fronteira, Trump disse que muitos emigrantes centro-americanos "simplesmente vão para onde não há segurança, e sequer sabem a diferença entre México e Estados Unidos". "Trazem mulheres amarradas, com fita adesiva na boca, fita isolante. Se tivéssemos uma barreira de qualquer tipo, uma barreira poderosa, seja de aço ou concreto os deteríamos", declarou Trump.

 

A viagem do presidente ao Texas é mais um passo para fazer avançar seu plano de construir o muro, após seu primeiro discurso à nação na terça-feira e abandonar uma reunião com os democratas na quarta-feira. Mas antes de desembarcar no Texas, Trump aumentou a pressão sobre os democratas ao anunciar via Twitter que, devido à sua "intransigência", cancelou a viagem ao fórum econômico de Davos, que acontece de 21 a 25 de janeiro.

 

Trump quer 5,7 bilhões de dólares para erguer um muro para barrar o que chama de "crise" de imigração. Ele discursou que a situação gera crimes violentos. Os democratas dizem que o muro não resolve problemas de imigração e criticam que é apenas uma manobra política para satisfazer as bases de direita do presidente.

 

"Você pode ter toda a tecnologia do mundo, se não tiver uma barreira de aço ou um muro de algum tipo, forte, poderoso, vai ter tráfico de pessoas, vai ter entrada de drogas por toda a fronteira, vai ter gangues entrando", disse da Casa Branca antes de ir ao Texas. O presidente pressionou o Congresso ao se recusar a assinar o orçamento do governo federal, que resultou no chamado "shutdown", devido ao qual centenas de milhares de funcionários, incluindo controladores de tráfego aéreo e membros da Guarda Costeira, não recebem salários há três semanas.

 

Uma paralisação prolongada do governo federal teria "um efeito considerável" sobre a economia mundial, advertiu Jerome Powell, presidente do Federal Reserve nesta quinta-feira. Trump repetiu a ameaça de que, se os democratas não desistirem, ele declarará a emergência nacional para evitar a votação no Congresso. "Se não chegarmos a um acordo, acho que me surpreenderia" não ser declarada emergência nacional, afirmou.

 

Os analistas alertam que a decisão de Trump seria contestada na Justiça, de modo que o projeto do muro poderia ser bloqueado. No entanto, esse processo daria credibilidade política ao presidente ante suas bases, pois mostraria que ele fez o que pôde para construir o muro. Naquela época, Trump poderia acabar com o fechamento parcial do governo.

Fonte: jornal correio do povo
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