Atualizado 17/04/2019

França lança concurso internacional para reconstruir a agulha de Notre-Dame

Estrutura foi destruída pelo incêndio que assolou a catedral na segunda

A França anunciou nesta quarta-feira (17) um concurso internacional para reconstruir a flecha de Notre-Dame, como parte de um ambicioso projeto para restaurar a emblemática catedral de Paris arrasada por um incêndio, que já arrecadou mais de 800 milhões de euros em doações. O incêndio ocorrido na segunda - que os investigadores acreditam ter sido acidental -, devorou o telhado e derrubou sua torre de 93 metros. Construída há mais de 800 anos, a estrutura do edifício permaneceu de pé, graças ao trabalho dos bombeiros.

Determinado a reconstruir rapidamente este templo, símbolo da história da França, o presidente Emmanuel Macron estabeleceu o prazo de cinco anos para completar a tarefa. Já alguns especialistas consideram que o trabalho levará décadas. "É um desafio imenso, uma responsabilidade histórica, a obra de nossa geração e para as gerações futuras", afirmou o primeiro-ministro Edouard Philippe, após uma reunião de gabinete dedicada aos desafios da reconstrução daquele que até segunda-feira era o monumento mais visitado da Europa, com 12 milhões de turistas por ano.

Ao falar sobre o colapso da flecha, Philippe anunciou um concurso internacional de arquitetos para a reconstrução. "O concurso permitirá saber se é necessário construir uma nova flecha idêntica, ou se é necessário dotar a catedral de uma nova flecha, adaptada às técnicas e aos desafios de nossa época", disse.

O trágico incidente que atingiu este símbolo da cultura europeia e testemunha da história da França foi acompanhado por milhões de pessoas em todo planeta. O telhado do edifício, de 850 anos, começou a arder por razões ainda não conhecidas, e as chamas estiveram a ponto de engolir todo edifício.

Polêmica

A restauração da catedral gótica, que custará várias centenas de milhões de euros, já conta com o apoio de algumas das empresas e famílias mais ricas do país, como a Total, ou a L'Oréal. Até agora, mais de 800 milhões de euros foram arrecadados em doações, o que provocou queixas entre líderes políticos e sindicais, ou seja, um montante tão rapidamente levantado para salvar um monumento quando há outras prioridades no país.

A solidariedade ultrapassou inclusive as fronteiras francesas, já que a bilionária brasileira Lily Safra e a fundação em nome de seu marido, Edmond Safra, banqueiro sírio-libanês morto em 1999, anunciaram uma doação de 10 milhões de euros para o fundo de reconstrução. Um ex-líder dos "coletes amarelos", grupo que protesta há cinco meses contra a política fiscal e social do governo, considerada injusta, criticou a "inércia" dos grandes grupos franceses diante da "miséria social", enquanto um representante da esquerda radical, Manon Aubry, cobrou desses grandes grupos que "paguem primeiro seus impostos".

Lágrimas e rosas

Nesta quarta-feira, na hora exata em que o incêndio começou na segunda-feira, todos os sinos das catedrais da França soarão em um gesto de solidariedade para com a diocese de Paris. As imagens da Notre-Dame, um dos mais importantes ícones arquitetônicos da França, sendo consumidas pelas chamas, horrorizaram o mundo.

A emoção ainda estava latente nesta quarta-feira entre parisienses e turistas, que foram ver com os próprios olhos o estado da catedral, localizada no coração de Paris, às margens do Sena, e depositaram rosas para prestar homenagem. Alguns choraram ao observar os danos sofridos pelo monumento, que faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1991. Uma porta escancarada mostrou muitos detritos enegrecidos e algumas vigas destruídas.

Fonte: jornal correio do povo
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