Atualizado 05/03/2018

WhatsApp é trunfo na campanha

Aplicativo é utilizado por dois terços do eleitorado e possui potencial para difusão de material

SÃO PAULO. Quase dois terços dos eleitores brasileiros têm conta no WhatsApp, segundo pesquisa Datafolha de janeiro. Em todo o país, 36% leem e 21% compartilham notícias sobre política brasileira e eleições no aplicativo de mensagens. Mesmo assim, a grande maioria dos presidenciáveis ainda não acordou para a plataforma que, segundo especialistas, promete ser fundamental nas eleições de 2018.

“Não tenho dúvidas de que o WhatsApp vai ser a principal forma de comunicação para compartilhar conteúdo sobre eleição, principalmente pelo volume de pessoas que têm acesso e porque muita gente discute política nele”, diz Mauricio Moura, diretor da consultoria Ideia Big Data.

Desenvolver uma estratégia que envolva uma boa segmentação para essa ferramenta, no entanto, consome tempo. Para Moura, entre dois e três meses é o prazo médio para ter um banco de dados “minimamente útil e organizado” para uma ação que tenha eficiência. Ele recomenda não começar depois de abril.

A campanha, oficialmente, só pode começar em agosto, mas isso não impede que já se estabeleça uma comunicação com possíveis eleitores. “É trabalho de longo prazo, que exige idealmente seis meses, mas no mínimo três”, afirma, por sua vez, o marqueteiro André Torretta, presidente da CA-Ponte – o braço brasileiro da Cambridge Analytica, consultoria britânica que fez a campanha de Trump nos EUA.

Torretta, que afirma ter até agora contrato fechado com duas campanhas estaduais (não dá nomes), diz que uma das vantagens do aplicativo é seu ambiente favorável à credibilidade do órgão emissor.

“Quando é sua mãe mandando uma mensagem, você para pelo menos para ver. Senão ela te bate”, brinca. “E você pode abrir um vídeo e ser uma propaganda.”

Profissionais do ramo dizem, entretanto, que irritar o eleitor pode ser um tiro no pé. Disparar mensagens sem foco tende a ser pouco eficaz. “Uma forma é chegar até os simpatizantes e incentivá-los a encaminhar as mensagens para conhecidos e criar listas de transmissão com seus contatos”, diz Daniel Sampaio, da Benjamin Digital. A empresa está em tratativas com Geraldo Alckmin (PSDB).
O pacote de um marqueteiro para uma campanha presidencial, incluindo os serviços não só no WhatsApp, mas em todas as principais redes sociais, não sai por menos de R$ 35 milhões, segundo Torretta.

O desenvolvimento da estratégia digital começa com pesquisas qualitativas para identificação do público-alvo. A segunda parte é a mais demorada: recolher números de telefone para montar um banco que será usado para a transmissão de mensagens.

As formas de montar esse banco vão desde a organização de eventos de campanha nos quais são pedidos os números aos eleitores à compra de listas de empresas como a Serasa Experian e a Vivo.

Há quem defenda que os candidatos poderiam responder judicialmente por usar contatos obtidos por empresas que negociam dados. Isso porque a lei que estabelece normas para as eleições proíbe a venda de cadastro eletrônico de clientes “em favor de candidatos, partidos ou coligações”.

Do lado dos marqueteiros, vale o entendimento de que dados obtidos na pré-campanha, ou seja, antes do período eleitoral considerado pela lei, são permitidos porque passam a compor a base de informações das siglas.

Exceção. Marina Silva (Rede) não utiliza WhatsApp, mas sua equipe usa a ferramenta para coordenar os mais de mil voluntários e falar com grupos de mobilização da presidenciável.

Ativo. O presidenciável Jair Bolsonaro (PSC) é uma exceção entre os aspirantes ao Planalto. Ele mesmo que administra seu WhatsApp, enviando mensagens, incluindo vídeos e críticas a reportagens que o mencionam.

Engajamento. Há três meses, a equipe de João Amoêdo (Novo), que terá sete segundos para sua propaganda no horário eleitoral, passou a criar uma lista de transmissão em que os eleitores se inscrevem para receber mensagens. Sua assessoria diz que a relação já reúne cerca de 20 mil números.

Limitada. A pré-candidata Manuela D’Ávila tem uma lista de transmissão mais tímida, pouco mais de 1.000 cadastrados. 

Fonte: OTEMPO.COM
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