Atualizado 07/02/2018

Taxa básica de juro pode cair nesta quarta para 6,75%, menor nível já registrado pelo BC

Parcela do mercado acredita que queda deve estacionar nesse patamar nos próximos meses

A taxa básica de juro da economia brasileira deve sofrer, nesta quarta-feira (7), a 11ª redução consecutiva. A expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) corte a Selic em 0,25 ponto percentual, levando o juro básico de 7% para a mínima de 6,75% ao ano — o mais baixo já registrado pelo Banco Central (BC), cuja série histórica começou em 1986. Essa é a projeção apontada pelo Relatório de Mercado Focus, divulgado na segunda-feira (5) pelo BC.

Desde agosto de 2016, a Selic sofreu uma série de quedas que levou o indicador de 14,25% para 7%, registrado em dezembro passado. Segundo especialistas, esse movimento é um dos reflexos do quadro inflacionário favorável.

Sócio-diretor da Fundamenta Investimentos, Valter Bianchi Filho acredita que a redução em 0,25 ponto percentual deve se confirmar nesta quarta. Bianchi Filho destaca que uma queda maior chegou a ser ventilada, mas foi deixada de lado por precaução. Para ele, a grande dúvida é se o BC vai estacionar nos 6,75% ou anunciar um novo corte nos próximos meses.

— Até um tempo atrás, chegou-se a aventar uma queda de 0,5 ponto percentual, mas, até agora, com a retomada das atividades, o mercado está mais cauteloso e esperando 0,25. Aí, a grande dúvida é se vai vir mais uma queda de 0,25 depois ou se (a Selic) vai parar em 6,75%.

Segundo o diretor, "os agentes estão divididos". Parte do mercado acha que essa é a última redução, e outra parcela acredita que o Copom vai anunciar mais uma queda de 0,25 ponto percentual, deixando a Selic em 6,5%.

Bianchi Filho aposta em uma parada nos cortes após a eventual queda desta quarta-feira, pois o Copom deve, por cautela, segurar o juro em 6,75%, avaliando se movimentos no mercado internacional, que causam alta do dólar, são passageiros ou mais intensos.

O executivo acredita que a queda da bolsa de Nova York na segunda-feira, de 4,6%, terá pouca influência no resultado desta quarta-feira, mas pode influenciar de maneira mais contundente no futuro, pois pode acarretar na alta da moeda norte-americana, por exemplo:

— Para esta quarta-feira, acho que a influência (da queda da bolsa de NY) será pequena. Mas se esse movimento continuar, na próxima reunião do Copom, ela pode ganhar alguma relevância.

Marco Antônio dos Santos Martins, professor de investimentos da ESPM Sul, também acredita que a expectativa de deixar a Selic em 6,75% deve se confirmar, pois a "inflação está sob controle" no Brasil.

No entendimento de Martins, a queda da bolsa americana foi ocasionada por fatores naturais e é uma "correção técnica necessária para tornar o mercado mais atrativo". Portanto, esse movimento não deve influenciar no juro básico brasileiro.

— Por enquanto, as razões que estão validando essa queda são naturais. Não existe nada que caracterize um movimento mais brusco.

Reforma da Previdência

Segundo o professor da ESPM Sul, uma parcela do mercado, que é mais pessimista em relação ao corte da Selic, acredita que o juro deverá continuar nos 7% após reunião do Copom nesta quarta. Martins afirmou que esses analistas acreditam que o impasse em relação à reforma da Previdência pode justificar esse congelamento.

O Planalto pretende encaminhar a proposta de emenda à Constituição (PEC) no dia 19 de fevereiro e votar no dia 20. No entanto, a falta de votos em razão da proximidade das eleições pode retirar o assunto da pauta do Congresso, o que poderia desanimar o mercado.

— Ele pode não cortar o juro, porque esse entrave da reforma da Previdência pode afetar as contas públicas no longo prazo. Então, pode ser que o Copom adote uma visão mais prudente. Pessoalmente, acredito que ele vai manter o que vem sinalizado ao mercado, que vai cortar mais 0,25. 

Bianchi Filho diz que uma eventual aprovação da reforma da Previdência, que ele acredita ser muito difícil de ocorrer, poderia deixar a Selic em até 6%.

— Com a reforma da Previdência aprovada, dá uma melhorada na expectativa das contas fiscais, que é um fator inflacionário no Brasil. O fato de o governo gastar mais do que arrecada pressiona a inflação. Então, a reforma da Previdência vai determinar se de fato o juro vai parar de cair em 6,75% ou se vai reduzir ainda mais.

Impactos na economia

Aplicações financeiras

O impacto mais imediato da redução do juro básico, segundo analistas, recai sobre quem compra títulos públicos, pois esses investidores lucram com a Selic em alta. O corte não é vantagem para os "poupadores".

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controle da inflação. Como a inflação está em baixa, o Copom segue reduzindo a Selic para tentar incentivar o consumo dos brasileiros e a produção nas empresas.

Empresas

O corte no juro pode incentivar a reação de empresas que buscam crédito mais barato para investir. Consequentemente, a alta na produção das companhias pode levar a novas contratações e aliviar o quadro de desemprego no país.

Consumo

Ao reduzir a Selic, o Copom também busca alavancar o consumo no país. Com taxas de juro menores nos bancos, a tendência é de redução no custo do crédito para compra de bens pela população.

Fonte: GAÚCHA ZH
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